História
A Abadia de Montecassino foi fundada por volta de 529 por Bento de Núrsia, que escolheu o cume do antigo Castrum Casinum para construir um mosteiro organizado de forma unificada, diferente das pequenas cenóbios de Subiaco. Aqui, iniciou uma intensa atividade religiosa e pastoral num território desprovido de orientação episcopal estável, impondo-se, graças ao seu carisma, mesmo entre as autoridades civis e religiosas. Segundo a tradição, recebeu também a visita do rei gótico Totila, a quem se diz ter predito a sua morte.
Após a morte de Bento, o mosteiro continuou a crescer, mas em 577 foi destruído pelos lombardos, e os monges refugiaram-se em Roma. Só em 718, graças a Petronax, a comunidade foi reconstituída, dando início a uma nova fase de grande desenvolvimento. Durante este período, Montecassino obteve importantes privilégios dos papas, que sancionaram a sua autonomia em relação aos bispos locais, e tornou-se o centro da difusão da Regra Beneditina na Europa. Acolheu monges e figuras ilustres e desempenhou também um papel político como mediador entre os lombardos, os francos e o papado.
Entre os séculos VIII e XI, a abadia alcançou enorme importância cultural: no seu scriptorium, foram copiadas obras fundamentais da cultura clássica (como Cícero, Virgílio e Tácito) e cristã, contribuindo para a preservação do conhecimento antigo. O período de maior esplendor ocorreu no século XI, sob o abade Desiderius, mais tarde o Papa Vítor III, que promoveu uma grande reconstrução arquitetónica e reforçou as relações com os normandos, colocando Montecassino no centro do equilíbrio político do sul de Itália.
No entanto, a história da abadia foi marcada por crises contínuas: em 883 foi novamente destruída pelos sarracenos e mais tarde envolveu-se nas lutas entre o Papado e o Império. No século XIII, sofreu graves danos durante as políticas de Frederico II da Suábia, que transformou o mosteiro numa fortificação militar. Nos séculos seguintes, passou por um período de declínio, agravado por terramotos e pelo sistema de comenda, que confiava o mosteiro a indivíduos frequentemente mais interessados nos seus bens do que na vida religiosa.
Um novo renascimento ocorreu no século XVI, quando Montecassino aderiu à Congregação Cassinense: a vida monástica, os estudos e as artes floresceram novamente. Os edifícios e a basílica foram renovados e, nos séculos seguintes, o complexo foi enriquecido por importantes artistas, incluindo Luca Giordano, tornando-o um dos complexos monásticos mais imponentes da Itália.
Entre os séculos XVIII e XIX, a abadia enfrentou novas dificuldades: primeiro a pilhagem pelas tropas francesas, depois as supressões napoleónicas e, finalmente, as do Reino de Itália em 1866, que reduziram drasticamente o seu poder e os seus bens. Apesar disso, continuou a ser um importante centro cultural, com estudos históricos, arquivísticos e científicos.
O momento mais dramático da sua história recente ocorreu durante a Batalha de Montecassino, em 1944, quando a abadia foi completamente destruída pelos bombardeamentos aliados, uma vez que era considerada um ponto estratégico para as tropas alemãs. Na realidade, antes da sua destruição, muitos tesouros artísticos e manuscritos tinham sido salvos e transferidos para o Vaticano.
Após a guerra, graças aos esforços do abade Ildefonso Rea, o mosteiro foi fielmente reconstruído «tal como era e onde estava» e reconsagrado em 1964 pelo Papa Paulo VI, que também proclamou São Bento patrono da Europa. Ainda hoje, Montecassino representa um símbolo da civilização monástica e da cultura europeia, um testemunho de uma história milenar marcada pela destruição, renascimento e continuidade espiritual.